TESTE T, UM PROJETO DE PESQUISA

Tânia de R. Lacerda de Mello

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Resumo:


O texto é sobre a pesquisa com o Teste T, desenvolvido no CIO - Centro de Investigações Orgonômicas Wilhelm Reich.

Conteúdo

As pesquisas de Reich começaram em Oslo observando os protozoários que apareciam na infusão de grama e feno em água. Conforme a grama ia degenerando-se, iam aparecendo pequenas vesículas que saíam das células da borda da planta e que eram definidas como bexigas, cavidades, sacos.

Essas vesículas que flutuavam livres pela água iam aglomerando-se de forma coerente que parecia revelar uma certa forma de organização rudimentar. Reich foi observando esses aglomerados e percebendo seus movimentos:

As vesículas de feno pareciam simular várias funções vitais. Moviam-se, ingeriam vesículas não agregadas, expandiam-se e dividiam-se em fenos menores - reprodução e crescimento. Por causa dessas funções vitais resolveu chamá-las bíons.

Para descartar hipóteses de germes aéreos, Reich submeteu a solução a autoclavagem, esterilização e inclusão em solução de cloreto de sódio e proteínas.

No início de 1936, autoclavando os preparados de bíons a 120° C, acontecia que a desintegração em vesículas ficava mais completa e os bíons azuis apareciam mais rapidamente.

Em maio de 1937, começou a levar à incandescência os cristais de carvão e terra antes de introduzi-los no meio de cultura. Em 2 anos os experimentos confirmaram a desintegração vesicular e a organização de células e bactérias a partir dos bíons.

Em janeiro de 1939, incandescendo areia de oceano, formou-se uma cultura pura de coloração amarelada que, quando ao microscópio, apresentava grande agrupamento de vesículas coesas pouco móveis, luzindo de um azul intenso - eram os SAPA.

Esses bíons tinham uma radiação que causava ardência nos olhos e eram originados da areia do oceano, energia solar solidificada que, ao levar à incandescência, liberava essa energia.

Fazendo experimentos no eletroscópio com substâncias friccionadas umas às outras, Reich pegou uma luva de borracha e, ao aproximar do eletroscópio este reagiu aderindo a folha ao vidro. Surpresa! Lembrou-se que as luvas haviam sido expostas à radiação dos SAPA. Pegou outra luva, e esta não influenciava.

Testou vários objetos e observou que luva, celulose, algodão absorviam energia das culturas e influenciavam o eletroscópio sem fricção prévia e que, umidade e sombra combinadas com vento forte ou toque das mãos por vários minutos faziam o efeito desaparecer.

Com novas luvas, expostas ao sol, houve resposta no eletroscópio, conclui que a energia está presente em todo lugar e vem do sol. "Sinto-me como se estivesse estado contemplando o sol por longo tempo." (Reich, 1985). A energia também é encontrada no organismo vivo que absorve energia da atmosfera e diretamente do sol. Chamo-a energia orgone por causa da história de sua descoberta, do estudo do orgasmo e de seu efeito biológico de carregar substância de origem orgânica.

Em suas experiências com bíons de carvão, Reich percebeu pequenos corpos com a forma de lancetas. Bacilos T (todes - morte, em alemão) pois desenvolveu-se da degeneração e desintegração pútrida da proteína viva e não viva.

Numa cultura de bactérias em decomposição, formava-se uma margem esverdeada que, sob o microscópio, apresentava-se com variedades de bacilos menores movendo-se em ziguezague. Os preparados de bíons produzem 2 tipos de bíons: PA azuis e os pequenos bacilos T negros, tanto nas experiências em microscópio quanto em ratos.

A partir das experiências com ratos, Reich parte para as pesquisas no organismo humano. Começa pelo exame do sangue para determinação da saúde geral do indivíduo, de instalação e progresso de um processo canceroso em operação dentro do organismo, e do fortalecimento da saúde derivado do uso do acumulador de energia orgone.

Um pré-requisito para a avaliação apropriada do Teste de Sangue de Reich (TSR), consiste no rearranjo do pensamento pessoal com relação à unidade básica das coisas vivas pois, ao observar a desintegração das hemácias em solução fisiológica, a célula desintegra-se numa unidade mais primitiva. Esta unidade básica é o bíon, definido como uma vesícula microscopicamente visível de energia funcionante, isto é, uma unidade de energia consistindo de uma membrana, conteúdo líquido e uma quantidade de energia orgone (vital).

Em 1992, começou no CIO um projeto que tinha como objetivo reproduzir alguns experimentos de Reich, bem como um estudo e padronização - adaptada à nossa realidade - do Teste T.

Desenvolvi o trabalho de pesquisa sob a supervisão de José Felipe Fernandez. A primeira etapa, portanto, era organizar e operacionalizar o laboratório.

Na Segunda etapa, foram reproduzidos experimentos de Reich a partir de grama, areia. Observações de florais, remédios homeopáticos, alopáticos, seres vivos, buscavam familiarização com a observação da Vida, bem como o que isso provocava no observador.

Ver como foi a descoberta dos bíons, constatar que não estavam somente nos livros mas ali, diante dos meus olhos, ver o movimento de pulsação, o processo de encolhimento em um ser unicelular, um material de areia sem autoclavar e depois de autoclavado, comprovar que realmente liberava energia, era belo, emocionante e instigante.

Na terceira etapa, foi o começo da observação do sangue. De acordo com Chester M. Raphael e Hellen E. MacDonald: "A estimação dos critérios para o sangue sadio ou doente requer muita experiência. Primeiro devem ser examinadas e comparadas entre si muitas amostras de sangue de diferentes fontes. Isto significa horas longas e pacientes ao microscópio. Para a aquisição desta habilidade, é importante que sejam usados pelo observador o mesmo microscópio e a mesma magnificação, a mesma centralização de luz e a mesma intensidade da fonte luminosa." Vezes sem conta examinava o sangue de várias pessoas e em momentos diferentes. A observação do meu próprio sangue em momentos de emoções distintas iam corroborando que o estado emocional influenciava na carga energética das células. Esta etapa objetivava a percepção e comparação das células - hemácias, bem como seu processo de degeneração. Era um estudo e preparação para começarmos a registrar as observações dos testes, a quarta etapa do trabalho.

Neste momento começou-se observar o sangue de terapeutas que faziam parte da instituição e seus pacientes e a registrar as observações. O objetivo era a familiarização, na prática, com as medidas comparativas das reações B ou PA e T.

Quando estávamos levantando a possibilidade de estruturar uma amostragem maior e mais variada para a padronização, o projeto foi interrompido. O motivo pareceu ser a falta de recursos para a manutenção do laboratório operando.

Escreverei um pouco sobre as três partes do Teste T:

1. A desintegração das hemácias em solução fisiológica. Nesta parte o sangue é observado imediatamente depois de colhido sob o microscópio. Por desintegração entende-se o aparecimento de bíons dentro do corpo das células. Isto é devido ao fato de que há uma perda gradual da energia orgone de forma que não há mais o suficiente para manter a tensão característica da célula saudável. A energia presente encolhe ou é concentrada em vesículas singulares, que representam um nível mais primitivo do funcionamento vivo. A degradação e morte das hemácias então acontece e encontramos cada vez mais fragmentos celulares - bíons grandes (no sangue bioenergeticamente forte, chamada reação B), bíons pequenos e bacilos T (no sangue bioenergeticamente fraco, chamada reação T).

Tanto no sangue saudável quanto no doente o processo é o mesmo, mas a desintegração bionosa, no caso do sangue saudável, começa em um nível de energia muito mais alto. Há o encolhimento em ambos - reação B e T, mas, no sangue mais fraco a tensão, a vida da célula mais fraca não é tão grande quanto a da mais forte. As células que se desintegram em B ou PA têm uma quantidade de energia orgone da qual se formam os bíons, e como conseqüência, esses bíons são maiores, de um azul mais profundo e mais nitidamente delineados. Nas células que se desintegram em reação T, devido ao seu conteúdo mais baixo de energia, somente serão encontrados bíons pequenos e bacilos T. o tipo de desintegração em T, embora encontrado sempre no câncer, pode ser encontrado também em moléstia com origem num distúrbio da pulsação bioenergética ( biopatia).

2. O teste de Autoclavagem - o sangue é colido em um tubo de ensaio com um caldo protéico, lavado ao autoclave por 15 a 20 minutos a 15 libras de pressão. O princípio é que o sangue saudável resiste melhor à autoclavagem do que o sangue bioenergeticamente desvitalizado, é um teste de coesão. No exame macroscópico, a reação B apresenta fluido claro, flocos marrons grandes, assentamento rápido após agitação e não há descoloração do fluido. Na reação T, o fluido é turvo, flocos marrom-esverdeados pequenos, assentamento lento após agitação e descoloração esverdeada do fluido. No exame microscópico, a primeira apresenta bíons grandes, azuis e na maioria contidos nos flocos grandes, o fluido é claro. Na Segunda os bíons são pequenos, pálidos e somente parte deles estão contidos em pequenos flocos, o fluido contém fragmentos, pequenos bíons e bacilos T.

3. O teste de Cultura do Sangue - num meio protéico autoclavado e, após observados vários cuidados de assepsia é colocada uma gota de sangue, esta cultura fica encubada por dois dias à temperatura de 37° C. No sangue saudável, o fluido permanece claro e num debilitado torna-se turvo de 24 a 48 horas e, após um tempo maior, adquire coloração esverdeada e odor pútrido. Significa que os bacilos T já estavam presentes no sangue e que agora se multiplicaram. Sob o microscópio, uma gota do fluido é examinada e observada uma distribuição uniforme de bacilos T pelo fluido.

No trabalho durante 18 meses no laboratório do CIO, instituição onde fazia minha formação em terapia reichiana, pude reproduzir alguns dos experimentos de Wilhelm Reich além de examinar várias amostras de sangue.

Nestas pesquisas o que mais me fascinava não era somente os resultados dos testes T, ou a reprodução de experimentos com grama, areia e protozoários. Poder perceber que existia uma correlação entre a análise do biofísico, de como a pessoa lidava com seus sentimentos, como mostrava-se ao mundo, como funcionava energeticamente com seus impulsos e emoções e a forma como o campo de energia e a degeneração do sangue acontecia, isso era realmente instigante.

No procedimento do teste, fazia-se uma entrevista onde a pessoa falava um pouco do seu funcionamento, de seus sentimentos e seus de impulsos além de sua sexualidade. Era feita uma avaliação do aspecto biofísico em cada um dos sete segmentos além da investigação da história de vida do paciente. Quando o paciente apresentava alguma patologia médica, eram importantes os exames médicos tradicionais.

Depois disso era colhido seu sangue e levado a exame. No momento em que ia observando o sangue, várias formulações do paciente iam-se confirmando diante de meus olhos, por exemplo: seu nível de energia, como essa energia mostrava-se, como processava-se a degeneração, etc.

Como exemplo, examinando um paciente soropositivo, com manifestação da doença, percebi que suas células eram carregadas, tinha um bom campo de energia, tom de azul profundo e se sustentava por quase 10 minutos sem apresentar nenhuma degeneração celular. O paciente apresentava uma vitalidade, tom de pele rosado falando de uma carga energética. Como era possível tanta carga no sangue de um paciente HIV positivo em estado já avançado da doença? De repente todas as células começaram a degenerar-se de uma forma abrupta, caracteristicamente em reação T. Em menos de 5 minutos toda a amostra estava totalmente degenerada. Outra surpresa, pois as degenerações comumente processam-se de forma gradativa.

Depois do teste, conversei um pouco com o paciente e ele foi falando de como percebia os sintomas da Aids nele. Sua descrição ia me causando arrepios, pois disse ter a sensação que seu organismo ia se carregando, carregando e agüentando firme, de repente é como se ele não conseguisse mais segurar e esvai-se, cita como exemplo a diarréia. "Vou segurando, durante um bom tempo seguro e chega um momento que não dá mais e desce (faz um gesto com a mão juntando os dedos e trazendo do rosto para o abdome)".Quando ele relatou-me isso foi como se o mesmo processo experienciado por ele com relação aos sintomas da doença acontecia no seu sangue. Outros três pacientes com Aids também tiveram seus resultados muito semelhantes na forma e tempo de degeneração.

Em vários exames comprovava que a forma como a pessoa lidava com seus impulsos e mostrava-se ao mundo, era intimamente correlacionado a como sua célula sangüínea "comportava-se" no processo de pulsação e degeneração. Estava claro diante de mim, comprovado microscopicamente, a questão de unidade funcional célula-corpo.

Bibliografia:

REICH, W. The Bion Experiments, on the Origin of Life . Nova York, Octagon Books, 1979.

REICH, W. La Biopatía del Cáncer. Buenos Aires, Ediciones Nueva Visión, 1985.

REICH, W. Análise do caráter. Brasil, Martins Fontes, 1985.

CHESTER, M.R. & MACDONALD, H. "Diagnose Orgonômica da Biopatia do Câncer." Publicado pela Fundação Wilhelm Reich, 1952.

BAKER, C.F. - DEW, R. - GANZ, M. & LANCE, L. "O teste de Sangue de Reich." Journal of Orgonomy, 15 N° 2, 1982.